Rua escura


Rua escura...

Te sinto fria.

Sem cara.

Em ti, quem me guia?...

A luz de teu fim?

Ou aquela, atrás de mim?


Cheiras a mistério.

Como eu cheiro a confusão.

Sigo assim um rio,

Perdido entre ti e a tua escuridão.


(Nela dou-me por perdido.

Mas só perdido me encontro.

Por isso meus passos te cedo.)


Medo não sinto.

O teu silêncio dá-lhe colo.

Meu coração não o tenho perto.

Pois tu não tens onde pô-lo!


(Em ti, meu coração só teria lugar,

Numa da tuas pontas a brilhar.)


Aqui, tudo o que voa…

Voa baixinho.

Apalpando caminho.

Apalpando-te à toa.


Tu és passagem em bico...

Onde passo e não fico.

Desabafo!

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